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quarta-feira, setembro 21, 2011

Página do Mensur


Primeira página do novo livro. Fúria e drama, vida encurvada. Pelamor, ninguém merece. Mas que tá ficando legal, tá.

Rafa::

Projeto Intermediário


Página de um projeto ainda secreto. Quem sabe não me liberam em breve pra falar dele. Não é nova hq, é só um pedaço de algo. Cores dos monstros parceiros Mateus Acioli e Heitor Yida. Não conta pra ninguém, hein.

Beijo,
Rafa::

terça-feira, setembro 13, 2011

Cinco motivos pra ir ao Lançamento da MIL



Primeiro: Será também o bazar das roupas da Oitomilhertz;
Segundo: Braceletes Táh e Adornos a la Camila;
Terceiro: Exposição de desenhos do Rafael Coutinho
Quatro: Lançamento da nova revista MIL, do Gabriel Góes, entitulada "SIM" (e sim, tá linda);
Cinco: O Gabriel Góes estará aqui, autografando as revistas dele!

Onde?
No Bar da nossa querida amiga Gabi, o Dôla, no encontro da Pompéia com a Lapa. Das 15 às 22 horas, horário de passear no fim de semana, bem bom. Venham que o bar é cheio de cervejas especiais, artesanais, comidinhas incríveis e gente legal.

DIA 17/set, sábado agora!

Empório Dôla
Rua Duílio, 323
Lapa
2628-3330

Nos vemos lá,
Rafa

terça-feira, agosto 23, 2011

Lançamento da MIL 0004: "Bebê Gigante", do Elcerdo, em Sampa!


Nessa quinta, na Mercearia. Paulistas, migrantes, turistas e passantes, venham pegar sua rubrica do próprio Elcerdo e celebrar com o copo em riste!

Vejo vocês lá.
Rafa::

sexta-feira, agosto 12, 2011

Saiu mais um MIL!


Queridos amigos cariocas, fãs do Tiago "El Cerdo" Lacerda, entisuastas do quadrinho adulto e parceiros da Barba Negra e do Selo Cachalote: SAIU MAIS UM!
Sim, a série mais aclamada da atualidade ganha mais uma linda história. Entitulada "Bebê Gigante", ela marca também a estréia do El Cerdo nas histórias mais longas, mostrando porque o cara é um dos grandes desenhistas da sua geração. Além de co-editor da Beleléu com os meticulosos Arruda, Laffayette e Stêvz, El Cerdo é conhecido pela orla carioca como um agitador cultural, organizando exposições e marcando presença em todos os eventos do meio, sendo o cara incrível que é. Compareçam, vai ser muito bom (estarei por lá também, caso você seja um desafeto dele e precise de outra razão pra ir). É o quarto lançamento do Projeto MIL, e estamos muito orgulhosos de como a série toda tem ficado. Pros que não conhecem ainda ou não conseguiram achar as outras edições, teremos as edições anteriores por lá também, de DW e Daniel Gisé.

Dia 16 de Agosto - terça-feira
Bar Salvação - rua Henrique de Novaes, 55 - Botafogo - Rio de Janeiro
telefone: 2226-9691

terça-feira, julho 05, 2011

Lançamento da "DESVIO" (projeto MIL) + Produtos Narval


Venham! Vai ser demais! Finalmente conseguimos montar um lançamento dos nossos novos produtos em Sampa. Canecas dos Piratas do Tietê, camisetas e moletons, livros assinados meus e do Laerte, posters e bugigangas mil, lindonas.

Beijo grande, espero vocês lá!
Rafa::

Rua Rodésia, 34 - Vila Madalena (do lado do metrô Vila Madalena)
São Paulo
11 3815-7200

sexta-feira, julho 01, 2011

Notas Sobre o MIL

Opa, povo interessado em comprar os MIL.
Como a tiragem é pequena e bem limitada (imprimimos 300 de cada apenas) e o preço da cada uma é de apenas R$10,00, não enviamos pelo correio. Apenas vendemos nos lançamentos de cada uma. A Drink esgotou, e a La Naturaleza tá bem próxima de acabar. Mas a ideia é fazer uma compilação das 6 primeiras pro segundo semestre, e essa sim poderemos vender e enviar pelo correio. Ainda estamos acertando os detalhes sobre essa publicação, em breve apareço com mais novidades.

Obrigado à todos que tem procurado e apoiado o projeto. Tá ficando lindo, isso posso dizer com tranquilidade.

Um abraço (velu, Daniel C, e perdão!),
Rafa::

segunda-feira, maio 23, 2011

Um poster pro Marcelo Camelo


Trocamos alguns e-mails, fui no show, que cara impressionante. Pediu um desenho, fiz feliz. Espero que goste, Marcelo!

Rafa::

segunda-feira, maio 09, 2011

Por Que Eu Gosto de Você


Expo de Serigrafia "Por Que Eu Gosto de Você", do grande gravador e amigo Rogério Maciel-Estúdio Elástico - amanhã, imperdível.
Segue o lindo texto que ele e a Amanda (mulher e sócia) escreveram:

"Por que eu gosto de você?
Depois de conhecer tantos entusiastas da arte e da técnica serigráfica no Estúdio,
pensamos sobre as coisas no mundo que movem o sentimento de simpatia sincera, cega e gratuita.

Iamana, Fernando Pirata, Mariana Abasolo, Rimon Guimarães e Znort foram convidados a responder
o questionamento que dá nome à esta mostra,
e a partir daí apresentar novos questionamentos sobre o tema proposto.

A exposição resulta das paixões que unem amigos, amigos de amigos,
do cuidado e do amor que lugares e pessoas podem nos transmitir,
de atitudes que confirmam a existência de um grupo ativo e pulsante de artistas,
dos quais apresentamos apenas alguns “sonhos de fé em parceria”.

A montagem da exposição revela não só a preciosidade no resultado final das serigrafias,
mas também expõe a técnica de aplicação das cores em serigrafia,
esperando assim difundir a impressão artesanal, especialidade do Estúdio Elástico.

bjos e abs,
Rogério e Amanda"

ESTÚDIO ELÁSTICO
11 3384-6784 / 8308-7939

Endereço do Espaço Cartel: rua Arthur de Azevedo, 517 - Pinheiros.
A abertura é das 19 às 22hs.

Vejo vocês lá!

Abraço,
Rafa::

segunda-feira, abril 25, 2011

LANÇAMENTO MIL +ULTRALAFA EM SAMPA



Eba! Finalmente!

Nessa terça-feira dia 26 de abril (amanhã) o selo Cachalote lança em parceria divina com a Editora Barba Negra dois projetos em Sampa (só o MIL é em parceria, o outro é deles, e lindo):
Projeto MIL: "La Naturaleza" de DW
Projeto montado com carinho desde o ano passado por aquele que vos escreve e o Lobo, e consiste em lançar uma história inédita de 16 ou 24 páginas de grandes quadrinistas do país, um por mês (agora começou!). As histórias são sempre mudas e o tema é livre, e os autores são Rafa Coutinho, DW, Rafael Sica, Daniel Gisé, El Cerdo, Pedro Franz, Diego Guerlach, Gabriel Góes, Lucas LTG, Laerte, Fido Nesti e Guazzelli. Dessa vez lançamos a linda e bizarra história do DW Ribatski (http://www.dwski.blogspot.com/), desenhista de mão cheia e experimentador nato do meio.

ULTRALAFA: "Mundo Paralelo do Nosso Dia Dia" de Daniel Lafayette
O Lafayette, conhecido como Lafa, é um dos grandes caras do quadrinho carioca. Pra quem acompanha o trabalho dele (http://ultralafa.wordpress.com/) no seu blog e no da Beleléu (http://revistabeleleu.wordpress.com/), sabe que o lançamento do livro é algo esperado há muito tempo. O livro tá lindo e o lançamento contará com a presença do ilustre, distribuindo autógrafos noite adentro.

O lançamento acontece na Mercearia São Pedro (rua Rodésia, 34 - Vila Madalena), começa às 19 horas e termina tarde.


Vejo vocês todos por lá, passem pra frente!
Um beijo grande,

Rafa::

terça-feira, março 15, 2011

MENSUR - Nova HQ!


Eba! Podemos anunciar agora!
Tenho me dedicado a isso desde o fim da Cachalote. O projeto já estava flutuando na minha cabeça, queria muito fazer algo com o tema depois de uma saga de 280 páginas como a Cachalote. Algo entre a ação e o drama, com cara e gosto de cinema realista. Todas essas conjecturas sobre o que a gente faz acabam caindo por terra quando você começa, no final é meio uma continuação do tipo de história que eu gosto de contar, mas havia algo nesse encantador ritual de passagem que tinha a ver comigo, não sabia muito o que era. Bom, hoje terminei os thumbnails (pequenos mapinhas do que as páginas serão), terminei roteiro e agora é sentar a bunda e desenhar.

O Mensur é uma prática de duelo de espadas muito comum na Alemanha, e sua origem vem do século XVI, em território prussiano. Passou a ser organizado pelas fraternidades das universidades alemãs e celebra o duelo de dois lutadores que, com as espadas posicionadas acima da cabeça, desferem golpes apenas no rosto de seu oponente. O objetivo é mais simbólico do que prático: o vencedor é aquele que deu mais golpes ou tomou menos, mas o perdedor não é visto como um, e ostenta suas cicatrizes com orgulho. Ele não pode ser considerado luta ou esporte, uma vez que não há vencedores. É um ritual que tem suas origens na preservação da honra e em um senso de fraternidade, de fortalecimento do caráter frente aos colegas e a sociedade de uma forma geral. O Mensur existe até hoje e é praticado dentro de algumas universidades alemãs, seu clímax foi no século XIX. As imagens são impressionantes.

Como a embrenhada era solitária dessa vez (saudades, Galera), tive que dedicar grande parte desses últimos seis, sete meses ao roteiro. Acho que estamos no caminho (eu e meu amigo-editor André Conti), e se tudo der certo lançamos esse livro até o fim do ano. Se tiver que esperar um pouco pra começo de 2012, não tem problema. O segredo agora é manter o ritmo, caprichar no desenho e contar uma boa história.

Aviso mais assim que amarrarmos as arestas. Mas confesso que tô muito empolgado, louco pra dividir isso aqui com todo mundo. Tá bem bonita. Ah, também estamos bolando três animações-teaser pra ir soltando durante o processo. Vamo nessa, o ano tá começando ainda.


Um beijo,
Rafa::

terça-feira, fevereiro 15, 2011

LANÇAMENTO ORDINÁRIO - RAFAEL SICA


O livro mais incrível do ano, mesmo sabendo que estamos no começo. Não tem pra ninguém, o cara é foda. Sai pelo Quadrinhos na Cia, e acontece em São Paulo na sexta-feira dessa semana, dia 18, à partir das 19hs no espaço +SOMA - Vila Madalena. Vamos lotar essa festa, passem pra frente.

Até lá,
Rafa::

quinta-feira, dezembro 23, 2010

DRINK : Projeto MIL


Bom, acho que esse é o último post do ano. Um pouco injusto, visto que ficou tanta coisa pra contar e dividir (turnê Cachalote de novembro por cinco estados - inesquecível), mas por hora vou me ater a esse projeto, o MIL, que criei com os meus queridos amigos/sócios da loja Cachalote e o amigo Lobo, editor e dono da editor Barba Negra. Bom, a idéia era criar algum motivo bom pra desenhar histórias em quadrinhos mais curtas entre os longos projetos aos quais muitos amigos desenhistas tem se dedicado. Esses projetos distanciam o autor do público e o obrigam a trabalhar com freelas esbrúxulos no interim, o que sempre achei um raciocínio meio absurdo que se instaurou como regra na vida dos artistas que conheço. Falamos com naturalidade sobre essa condição, como se fosse algo óbvio o fato de se trabalhar tanto com quadrinhos e publicar tão pouco. A maior parte dos amigos conversa mais sobre esses trabalhos intermediários do que do projeto principal ao qual estão mais dedicados, e sempre me veio essa questão: por que não freelar com quadrinho? Daí que pensamos na seguinte solução. Uma revista que saisse mensalmente, com uma história de 16 páginas dos principais quadrinistas da atualidade, um por mês, 200 cópias vendidas à dez reais, e as primeiras 100 que fossem vendidas ficassem direto para o artista. Dessa forma o cara saía com mil pilas no bolso, um bom freela de quadrinhos e lançava sua história com a gente.
Aí conversamos, afinamos, o Lobo topou entrar de parceiro e saiu. O projeto é mudo (a única restrição unificadora, já que a temática e roteiro são livres) e o papel de cada história é colorido, uma cor pra cada artista. Fechamos uma compilação pro final do ano que vem, e eu fiquei incumbido de fazer a primeira, chamada Drink. A segunda sai em janeiro e é do DW, grande amigo e artista que admiro muito, garoto prodígio. Em seguida lançamos o Daniel Gisé, o Rafael Sica e o Pedro Franz. No segundo semestre Gabriel Góes, Eloar Guazzelli, Fido Nesti e Diego Gerlach. É isso, melhor não fica.

A Drink está à venda na Livraria HQ MIX, aqui em Sampa, e em breve mando 20 pra Mitie, na Itiban de Curitiba. Em janeiro aviso sobre o lançamento do DW e assim vamos.

Um beijo e feliz Natal a todos, boas viradas, até.

Rafa::

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Ao querido Sérgio Faria

Não consigo ver seu e-mail quando você me escreve via blog (o de ninguém, não é pessoal). Tens que escrever ele no corpo do comment ou me mandar um e-mail pelo seu e-mail.

Atenciosamente,
Rafa, porra.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Lançamento da Coleção Verão da OitoMilHertz! Sábado!



UAU!!! Lançamento da Coleção SPLASH da OitoMilHertz!
Não é porque é minha mulher, mas tenho que dizer: é a melhor coleção que a Marina já fez, muito colorida e forte, com as sempre impressionantes tricotadas da Paula, uma coleção harmônica e pret à porter, coisa de gente grande. Não sei se posso usar esse termo ou me matam no mundo da moda, mas tá realminte lindo, tudo. A Má fez um ensaio com a modelo Soledad, personagem que sempre figura nos ensaios da marca, e tudo ficou muito amarradinho e fino. Venham ver! Tragam os amigos!


Shoesserie
rua Fidalga, 23 - Vila Madalena - São Paulo
de 23 à 19 de dezembro - das 12 às 20 horas

segunda-feira, novembro 08, 2010

quarta-feira, outubro 20, 2010

A Memória do Elefante


Anos atrás quando conheci o Caeto, na famigerada esquina da Cardeal Arcoverde com esqueci que rua (foram anos de muitos excessos, me dêem um crédito), onde se concentravam e ainda de concentram dezenas de jovens ávidos por experiências marcantes e a destruição total do fígado e de espírito, nossas vidas eram bem diferentes. Diferentes do que são hoje e diferentes entre si. Eu era estudante de artes da Unesp, não sabia porra nenhuma de artes e me concentrava em fugir da formação, arranjando meios pra me definir como um artista "underground", buscava um ofício, algo mais palpável do que o mundo das galerias. Arrumei um emprego como animador em uma editora meio-período, e assim que acabava meu turno, corria pro bar. Mais do que tudo, eu bebia, e encontrei ali companheiros de copo e bagunça que se tornaram grandes amigos até hoje. Na faculdade conheci o Ulisses, sócio-fundador da revista independente Sociedade Radioativa, que junto com o Caeto, João Riveros e outros colaboradores (no começo da revista o Pedro Angeli também colaborava) tocavam a revista com paixão e desdém pelo mundinho descolado, numa celebração da informalidade e da vida safada, uma proto-Chiclete com Banana, o famoso "fanzinão genuíno, alma da contra-cultura. Era toscão e sujo em seu conteúdo, e obviamente me apaixonei de cara. Todos ali pareciam falar uma mesma língua maliciosa e experiente, tinham suas bandas há anos, conheciam todo mundo da cena punk e do rock paulista, tinham suas rixas e suas histórias de grupo fechado, uma mistura de faunas urbanas de dar inveja em outros grupos e nichos culturais. Foi no mesmo grupo que conheci minha mulher, Marina, que tocava no Biônica, onde conheci a Ju, o Ramone, Heleninha, que eram amigos da Manu, do Cauê, da Rita, que casou com o Alê, que tiveram um filho lindo, o Max, que é meu afilhado, hoje todos meus amigos queridos. E a esquina da Careal era nosso quartel general.

O Caeto sempre foi pra mim o representante maior dessa coisa toda. Me encantei pelo cara, pra não dizer que me apaixonei mesmo, esses caras com uma vida fodida, toda torta, largou a escola, fazia tudo na raça, bebia que nem um porco, tinha cara toda marcada, um papo engraçado, uma formação de rua, uma firmeza louca pra dizer absurdos lindos sobre como as coisas eram e deveriam ser, um tapa na cara de um classe média como eu que sempre teve a tendência de se aproximar dessas figuras míticas que sobreviveram às maiores intempéries da vida e mesmo assim conseguiam sair encantadores e envolventes do outro lado. Ficamos amigos de imediato, entrei pra revista e em pouco tempo já fazia parte da cúpula, adotado pelo Ulisses e pelo Caeto. Todo encontro no bar era uma reunião, todo show dos nossos amigos era regado a muita cerveja e quadrinhos. Pra piorar minha paixão pelo cara, ele desenhava como ninguém, tinha um volume de histórias auto-biográficas impressionante, mil idéias por segundo, sempre com a história da próxima revista na cabeça. Os lançamentos eram algo a parte (a revista já existia há quatro cinco anos quando eu entrei). Shows de bandas, música boa, casa lotada, sucesso incontestável. Em pouco tempo a revista se pagava e vez por outra pagava nossas cervejas, vez ou outra entrava até um cachê pros editores. Saiu do formato fanzine, virou revista, fomos à loucura quando publicamos a capa colorida, papel cuchê e o caralho. O grupo de colaboradores aumentou, entraram o Gisé, Judas e Luisa, qualquer coisa era motivo pra beber e bolar o próximo número. Fizemos cartazes, colamos pela cidade, distribuíamos flyers, mandávamos pra lojas em outros estados. Lembro como uma época de ouro, nos comportávamos como reis do independente paulistano, inebriados por nossas conquistas.

A coisa toda durou alguns anos, depois foi lentamente degringolando. Aos poucos o papo foi ficando sério, as necessidades de cada um pediam por atenção. O Ulisses e o Caeto foram morar juntos na famosa casa dois, cada um tentava se virar como podia pra levantar grana. Nessa época a situação financeira e emocional do Caeto balançava, começou a pintar enormes telas, fez sua primeira exposição. Era um cara que lutava uma luta diferente da nossa, não tinha a quem recorrer, não conseguia trabalhar em qualquer lugar, não tinha formação pra bons trabalhos fixos, se virava com freelas esporádicos, sub-empregos e uma necessidade absoluta de beber até cair. Sua relação com os pais não era das melhores, vivia momentos de desespero e descontrole cíclicos, não conseguia romper com os traumas que a vida tinha lhe apresentado. Nunca deixei de beber com ele, acho que nenhum dos amigos deixou, mas não havia muito que pudéssemos fazer, eram as escolhas de um cara sem muitas opções. Mas nunca deixou de ver graça na própria merda, sabia analisar como poucos sua própria condição, eu diria até que era sua melhor qualidade. Mas quem pagaria um cara pala falar de si mesmo?
Numa sinuca de bico, ele mudou de casa algumas vezes, morou de favor na casa de amigos, descolou trabalho tocando em balada, declarou independência da revista e criou a sua própria. A Sociedade Radioativa acabou, cada um foi prum lado, o Caeto se manteve firme nas HQs. Seu discurso mudou aos poucos, foi apresentar seu projeto em editoras, foi o primeiro entre nós a encarar quadrinhos como uma profissão. Eu fui me esconder no design, fiz meus curtas de animação, montei com amigos de faculdade um coletivo chamado Base-V. Nessa época nos víamos pouco, acompanhei de longe a luta do meu herói. Nos encontrávamos pouco, soube que ele tinha encontrado uma menina legal, a Luana, namorava firme depois de muito tempo trepando em histórias curtas. O que me impressionava mais nele era uma sensibilidade muito específica com o mundo, não era um cara que "comia menininhas" ou "cagava pra filho da puta". Saia na porrada eventualmente, enchia a cara e o saco de gente por aí, mas nunca se comportava como um sujeito alheio, indiferente. Pelo contrário, ficava em crise, chorava, tentava entender sua condição, sabia ouvir, sabia discernir quem era sacana e quem era legal. Um cara genuinamente BOM, que queria mudar, acertar os pontos com a humanidade, sair da merda, equilibrar a vida. Foi o que vi ele fazer, aos poucos, se disciplinando, mudando seu traço, construindo um projeto mais longo pras suas histórias, pra sua vida. Aumentou as escalas das suas pinturas, fazia paredes agora, arrumou trabalhos maiores, mais bem pagos, se ajeitou com a Luana, moravam juntos agora, esperavam um filho. Fechou contrato com a Cia das Letras pra um livro longo,começou Kung Fu, se mudou pra Bragança, parou de beber tanto. Sentei com o editor dele (que por sinal é o meu também, o incrível André Conti) e lembro muito bem quando ele me falou: "cara, esse Caeto é um geninho. Não existe nada igual ao que ele faz na história do quadrinho brasileiro". Quase chorei, era impossível explicar pra qualquer um o que tinha sido a história toda, o tamanho da minha admiração pelo Caeto, pela trajetória absurda e a batalha que foi a vida do meu amigo. A Sociedade Radioativa, as bandas, as amizades e o carinho que nos rodeava à todos, a indescritível união que nos mantinha juntos, e que de certa forma mantém até hoje.

Essa sexta-feira é o lançamento do livro do Caeto, no Espaço +Soma, uma noite inesquecível, garanto. É um livro de cento e tantas páginas, sobre a vida dele, daqueles livros que você caga de rir e chora no fim, uma montanha russa de emoções contada com maestria e raro talento, um marco. Música boa, amigos, bebidas. Espero todos lá.